Pinagem do PIC16F628A: Guia Técnico Completo com Simulador Interativo
O PIC16F628A, da Microchip, é um dos microcontroladores mais usados no ensino técnico de sistemas digitais — encapsulamento DIP-18, memória Flash, comparadores analógicos internos e módulos de temporização (TMR0, TMR1, CCP1). Antes de programar qualquer coisa nele, porém, é preciso entender o que cada um dos 18 pinos faz, porque quase todos são multiplexados: um mesmo pino físico pode assumir 2, 3 ou até 4 funções diferentes dependendo de como os registradores internos são configurados.
Este artigo organiza essa pinagem de forma didática, pino a pino.
1. Antes de tudo: o glossário das siglas
Todo datasheet de PIC usa um conjunto de abreviações padrão para descrever o tipo elétrico de cada pino. Vale memorizar:
| Sigla | Significado |
|---|---|
| TTL | Entrada tipo TTL (lógica transistor-transistor) |
| ST | Entrada tipo Schmitt Trigger — comparador com realimentação positiva, mais imune a ruído |
| CMOS | Saída tipo CMOS (transistores MOSFET) |
| AN | Sinal analógico |
| XTAL | Pino de cristal de sincronismo (clock) |
| OD | Saída Open Drain (dreno aberto) |
| P | Power — alimentação elétrica |
| E / S | Entrada / Saída |
| ICSP | In-Circuit Serial Programming — permite gravar o PIC já soldado no circuito |
2. Visão geral: os três grupos de pinos
Os 18 pinos do PIC16F628A se dividem em três blocos funcionais:
- Porta A (RA0–RA7) — 8 linhas de E/S, várias com função dupla de entrada analógica para os comparadores internos, além do oscilador principal;
- Porta B (RB0–RB7) — 8 linhas de E/S, concentrando a comunicação serial (USART), o módulo CCP1 (PWM/Capture/Compare), o Timer1 e a interface de gravação ICSP;
- Alimentação e controle — Vss (GND), VDD (+) e o MCLR/Vpp (reset e tensão de programação).
3. Porta A — pino a pino
| Pino | Nome | Funções | Descrição resumida |
|---|---|---|---|
| 17 | RA0/AN0 | RA0 · AN0 | E/S digital bidirecional ou entrada de comparador |
| 18 | RA1/AN1 | RA1 · AN1 | Mesma lógica do RA0 |
| 1 | RA2/AN2/Vref | RA2 · AN2 · Vref | Pode ainda gerar uma tensão de referência programável |
| 2 | RA3/AN3/CMP1 | RA3 · AN3 · CMP1 | CMP1 é a saída digital do comparador 1 |
| 3 | RA4/T0CKI/CMP2 | RA4 (saída OD) · T0CKI · CMP2 | Entrada de clock externo do Timer0; saída em dreno aberto |
| 4 | RA5/MCLR/Vpp | RA5 · MCLR · Vpp | Master Clear (reset externo, ativo em nível baixo) e entrada de 13 V para gravação em alta tensão |
| 15 | RA6/OSC2/CLKOUT | RA6 · OSC2 · CLKOUT | Saída do cristal externo ou clock de 1/4 da frequência (modo RC) |
| 16 | RA7/OSC1/CLKIN | RA7 · OSC1 · CLKIN | Entrada do cristal externo ou de osciladores externos |
Repare que RA5/MCLR merece atenção especial: quando em nível alto, o PIC funciona normalmente; em nível baixo, ele entra em reset. É por isso que todo circuito com PIC leva um resistor de pull-up nesse pino.
4. Porta B — pino a pino
| Pino | Nome | Funções | Descrição resumida |
|---|---|---|---|
| 6 | RB0/INT | RB0 · INT | Entrada de interrupção externa |
| 7 | RB1/RX/DT | RB1 · RX · DT | Recepção da USART assíncrona ou dados da porta síncrona |
| 8 | RB2/TX/CK | RB2 · TX · CK | Transmissão da USART ou clock da comunicação síncrona |
| 9 | RB3/CCP1 | RB3 · CCP1 | E/S do módulo Capture/Compare/PWM |
| 10 | RB4/PGM | RB4 · PGM | Habilita a gravação em baixa tensão (5 V) |
| 11 | RB5 | RB5 | E/S simples, com interrupção por mudança de estado |
| 12 | RB6/T1OSO/T1CKI/PGC | RB6 · T1OSO · T1CKI · PGC | Cristal do Timer1 e clock da gravação serial ICSP |
| 13 | RB7/T1OSI/PGD | RB7 · T1OSI · PGD | Cristal do Timer1 (entrada) e dados da gravação serial ICSP |
Os pinos RB6/PGC e RB7/PGD são exatamente os que o gravador (PICkit, por exemplo) usa para fazer a ICSP — por isso, em projetos definitivos, costuma-se reservar um conector de 5 vias (VDD, VSS, MCLR, PGC, PGD) para regravar o firmware sem tirar o chip da placa.
5. Alimentação
| Pino | Nome | Função |
|---|---|---|
| 5 | Vss | Terra do circuito (GND, 0 V) |
| 14 | VDD | Alimentação positiva (tipicamente +5 V) |
6. Por que tantas funções no mesmo pino?
Microcontroladores de baixo custo como a família PIC16F precisam caber em encapsulamentos pequenos (18, 28 ou 40 pinos) mas ainda oferecer módulos periféricos ricos (comparadores, USART, PWM, temporizadores). A solução é a multiplexação de pinos: cada perna física é conectada, por dentro do chip, a vários blocos de hardware diferentes, e um conjunto de registradores de configuração (como CMCON, TRISA, TRISB e os bits de configuração do oscilador) decide qual função está "ativa" naquele pino em determinado momento. Entender essa lógica é o primeiro passo para ler qualquer datasheet de PIC com confiança.
Fonte técnica: Microchip Technology Inc. — Datasheet PIC16F627A/628A/648A (2016).
PIC16F628A
mapa de pinos
Toque em qualquer pino do desenho abaixo para ver todas as suas funções multiplexadas, o tipo elétrico de entrada/saída e a descrição técnica.
👆 pino 1 fica no canto superior esquerdo (marcado com o entalhe)
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